Publicado por: Gustavo Augusto Bardo | 29/10/2010

Ciências Auxiliares e História

O ofício do Historiador assim como o do detetive ou o do perito criminal, muito freqüentemente evocam o uso de variadas técnicas de análises das evidências para a formação do panorama subjetivo no qual se delineiam os eventos, as suas motivações, e as suas conseqüências dentro do vastíssimo universo de alternativas ou possibilidades estruturais ou conjunturais.

Resgatando o passado de toda uma civilização a partir de um pedaço de vaso, um fragmento de tecido, um conjunto de flechas e um esqueleto humano, a Arqueologia, permite ao historiador rever a cena final de um dado evento histórico e apartir das análises dos pormenores dessa cena, similarmente à cena de um crime, realizar interações e relações com outros achados, evidências e conhecimentos já produzidos em pesquisas anteriores, ou com outros achados de alguma maneira conectáveis, seja por estarem no mesmo espaço geofísico, seja por pertencerem a um mesmo povo ou ocorrerem num mesmo lapso de tempo. Ao longo das análises dos achados, vai-se produzindo a Cronologia, que também uma ciência auxiliar da História, nos permite um olhar comparativo do tempoespaço, em relações sincrônicas, pelas quais duas ou mais linhas de eventos ocorrem num mesmo lapso de tempo, ou diacrônicas, pelas quais em uma mesma linha de tempo, ou linhas diferentes, ocorrem eventos em graduações de tempo diferenciadas, assim de repente a evidência achada, embora pareça pertencer ao século XVIII pode ter relação diacrônica com outra evidência semelhante de outro sítio arqueológico, mas datada do século XIV, e nesse momento o historiador faz uma importante descoberta de uma continuidade ou Renascimento daquela tradição, vários séculos depois em um outro lugar ou mediante um outro povo, e um novo mistério se abre aos seus olhos: como esse saber foi transmitido?

E analisando um conjunto de flechas dispostos sobre um esqueleto, de determinada maneira, ele puxa um símbolo arquetípico, e descobre uma Iconografia que reflete um código de enigmas relacionados a essas evidências, e de repente o enigma se torna a chave de um grande enigma, aonde a Criptologia permitirá decifrar o significado por detrás do gesto. Em outro sítio arqueológico, outros pesquisadores descobriram uma Epigrafia, e a análise de textos manuscritos pela Paleografia e pela Diplomática revelam novas conjecturas e abordagens para a perpetuação e a abrangência religiosa, filosófica, cultural e política de todas essas representações simbológicas! Todo um universo de pensamentos complexos desponta e os textos encontrados se tornam surpreendentemente mais claros depois que os símbolos foram interpretados.

 Mediante o estudo de moedas pela Numismática, selos pela Filatelia e de carimbos pela Sigilografia, a equipe desvenda que os símbolos já ocorriam também em tempos mais recentes e mesmo em autarquias governamentais e de repente percebe-se que aquele sítio antes acreditado a um camponês possuía estreita relação com os altos escalões dos reis e rainhas da mesma sociedade. E se debruçando sobre brasões com a Heráldica, encontra-se de repente na família de um conde a relação de símbolos que confirma uma proximidade, o que violava tudo o que se sabia sobre aquela família nobre, e de repente se descobre uma conspiração ou quem sabe um desdobramento, em que a a Lingüística junto à Etimologia poderão ser úteis para decifrar as palavras estranhas que os Paleógrafos não conseguiram decifrar naquele manuscrito que parece ser a chave de todo o mistério, e mais evidências se produz para a Criptologia. Uma origem étnica surpreendente surge para aquela família que a tantos séculos perseguia seu próprio povo! 

E quando todos esses saberes obtém uma conclusão, flechas, tecido, esqueleto se tornaram uma vasta e impressionante epopéia!

Esse foi um exemplo ilustrativo apenas, acerca da emocionante vida multitarefas de um historiador!

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