Publicado por: Gustavo Augusto Bardo | 05/02/2009

Civilizações Indígenas – Parte I

Civilizações Indígenas – Teorias Formadoras

Existem hoje quatro teorias para a ocupação das Américas, embora apenas uma delas ainda seja amplamente conhecida, são elas:

A Travessia do Estreito de Bering
, se refere ao período da Era Glacial quando esse estreito entre Ásia e América do Norte possuía uma ponte de gelo, e remonta a pelo menos de 12 a cerca de 15 mil anos A.C, ainda é aceita como a teoria padrão mas já existem variadas críticas a sua predominância. Uma dessas críticas se refere ao fato de que os ancestrais dos aborígenes australianos, segundo testes de radiocarbono, teriam chegado à Austrália, que nunca esteve ligada por gelo a nenhuma parte de nenhum continente, a cerca de 20 mil anos, obrigando a crer que possuíssem embarcações. Outra crítica se refere a uma civilização indígena altamente avançada em sua arte cerâmica encontrada em Santarém, Pará, e que remonta a esse mesmo período, deixando claro que civilizações mais sofisticadas já haviam chegado à América do Sul provavelmente antes dessa passagem, pois já em 12 mil A.C. produziam artesanatos multidetalhados que significam que possuíam uma escala de trabalho mais eficiente permitindo bastante tempo para o ócio e se dedicarem portanto à arte, já que conseguiam sua subsistência rapidamente

A Travessia do Pacífico pelos Polinésios, preferida dos lingüistas, em especial seguidores do renomado Charles Berlitz, se firma na prova cabal lingüística da semelhança entre os idiomas Quechua-Aimará dos Incas, com o idioma dos polinésios dos arquipélagos ou ainda com os índios Maori da Nova Zelândia, deixando a se imaginar, uma vez que os polinésios eram exímios navegadores e que é fato terem povoado muitas ilhas do Oceano Pacífico afastadas entre si por várias centenas de kilômetros, que possam ter chegado à costa oriental da América do Sul gerando a base da civilização mais tarde conhecida como Inca. Outra teoria possível, seria a rota contrária, ainda que essa tenha menos defensores uma vez que ainda persiste a idéia da América como área conquistada e não área conquistadora, remanescente dos preconceitos dos primeiros colonizadores europeus.

Video mudo com trecho da Expedição do Kon-Tiki, embarcação criada em 1947, pelo explorador Thor Heyerdahl, baseada nas embarcações polinésias para provar que era possível cruzar o Oceano Pacífico, o que de fato conseguiu.

A Teoria da Autoctonia, se refere às pesquisas da arqueóloga Niéde Guidón, em particular no importantíssimo sítio arqueológico de São Raimundo Nonato, Piauí, em que vestígios parecem indicar populações no Brasil já a cerca de 70 mil anos, essa teoria tem crescido em defensores e já possui alguns seguidores estrangeiros.

Video em francês, Entrevista com Niede Guidon, no sítio arqueológico de Pedra Furada, Serra da Capivara, falando da pré-história das Américas.

A Teoria Atlântica, se refere a uma possível chegada inicial pelo Oceano Atlântico, essa teoria se agrega a lendas como a de Atlântida, e não possui muitas linhas seguidoras no meio científico, mas tem certa lógica ao se verificar o parentesco de povos como os Karaíbas do Brasil e outros grupos com os índios das Antilhas e de Cuba, ou ainda, as semelhanças fenotípicas entre alguns povos nativos da América do Sul e alguns segmentos de bérberes Imazighen do Marrocos que possuem traços puxados ao oriental e tez no entanto mais avermelhada como a dos índios do Brasil. Essa teoria é a daqueles apaixonados pelas lendas antigas, mas não deixa de ter base em lendas do novo mundo, como os Astecas que se diziam procedentes de uma ilha a oeste da América chamada Aztlán, enquanto segundo a lenda que se construiu, Atlântida ficaria além dos portais de Hércules, ou seja, além do Estreito de Gibraltar e portanto a leste da Europa, será verdade? Não se sabe, embora predomine o ceticismo.

Não obstante, a presença de uma cidade megalítica no Brasil tornou essa civilização, até então predominantemente européia e mediterrânica, ainda mais incompreensível. Outra evidência curiosa remonta à pré-história e encontra em Matozinhos, Minas Gerais, sua base: a teoria de que Luzia, descoberta por Lund, teria traços negróides e não indígenas, levando a crer que os negros chegaram nas Américas muito tempo antes dos indígenas, e que possam ter sido exterminados por esses ou mesmo se mesclado a alguns grupos mais morenos. Sendo negróides poderiam ter vindo da África, e australóides, ou pelo Pacífico ou pelo Índico e depois o Atlântico, seja como for, pairam muitos mistérios ainda. O fato é que, na Teoria Atlântica dominam as lendas mas também as estranhas evidências!

Uma outra certeza é a de que basear o desenvolvimento de civilizações nos achados pré-históricos de pontas de flechas e de lanças e outros vestígios desse período, não é de maneira nenhuma uma fonte confiável, pois se por um lado é perceptível que não existem grandes evidências urbanísticas em áreas da América do Norte com grande quantia desses achados, por outro também é compreensível que não existe relação direta entre um artefato tecnológico e uma civilização, fosse assim, os antigos egípcios que não conheciam artefatos de ferro nem o uso dos cavalos jamais poderiam ter avançado tanto urbanamente e teriam de ser considerados menos avançados do que os Hicsos, povos nômades guerreiros que lhes ensinaram sobre os cavalos e o ferro mas não possuíam civilização urbana monumental! Além disso, devemos lembrar que o clima mais temperado a frio da América do Norte, bem como das porções Andinas da América do Sul, tendem a preservar melhor esses artefatos do que as florestas tropicais do Brasil, ou os desertos de outras partes da América, de maneira que não há como ter certeza de que nessas áreas não tenham havido grandes produções de pontas de flecha e de lança pois podem ter se decomposto mais rapidamente ou mesmo sido feitos com materiais de origem orgânica.

A grande variedade de culturas e povos indígenas tanto na América do Norte, quanto na Central e na América do Sul, gerariam, todavia, grandiosas civilizações ao longo dos milhares de anos após a chegada desses povos seja por quais caminhos às terras tenham vindo, até à terra a que adotaram como lar.

Bibliografia

  • COE, Michael; SNOW, Dean; BENSON, Elizabeth. A América Antiga: Civilizações pré-colombianas. Barcelona: Ediciones Folio. 2006. (col. Grandes Civilizações do Passado). 240 p.
  • LONGHENA, Maria; O México Antigo. Barcelona: Ediciones Folio. 2006. (col. Grandes Civilizações do Passado). 287 p.
  • LONGHENA, Maria; ALVA, Walter. Peru Antigo. Barcelona: Ediciones Folio. 2006. (col. Grandes Civilizações do Passado). 288 p.
  • PHILIPS, Charles. O Mundo Asteca e Maia. Barcelona: Ediciones Folio. 2006. (col. Grandes Civilizações do Passado). 260 p.
  • WHITEHOUSE, Ruth; WILKINS, John. As Origens das Civilizações: Arqueologia e História. Barcelona: Ediciones Folio. 2006. (col. Grandes Civilizações do Passado). 191 p.
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