Publicado por: Gustavo Augusto Bardo | 06/02/2009

Civilizações Indígenas – Parte IV

Civilizações Indígenas – Mesoamérica II

Sobre o que restou da civilização Olmeca, e ao longo das áreas de ocupação protomaia, uma nova civilização se desenvolveria por volta do século I A.C, a Civilização Veracruz, como é denominada pela arqueologia. Entre seus maiores desenvolvimentos veio o uso do cálculo  longo de datas, originando o calendário Maia posterior. O jogo de bola que se torna altamente ritualizado em Veracruz,  refletia traços culturais olmecas demonstrando a permanência de culturas mais antigas nas posteriores, tal como também aconteceu  com as grandes civilizações da Europa, Ásia e África,  determinando que esse processo civilizatório mesoamericano já havia superado a barreira da memória, e que as civilizações se desenvolviam sobre a lembrança dos costumes das mais antigas.

Por volta de 600 D.C, El Tajín, já refletia a influência do calendário com sua Pirâmide de 365 Nichos, muito provavelmente simbolizando os 365 dias do ano solar, que já havia sido calculados pelos povos mesoamericanos. Tanto no Cerro de las Mesas, em que duas estelas (placas com inscrições) datam entre 468 e 533 D.C, quanto en El Tajín, a presença da cultura teotihuacana não é clara, levando a crer que possam ter sido cidades tão imponentes quanto, ou tenham exercido ação diplomática ou comercial para evitarem o avanço de Teotihuacán sobre suas terras. Na cordilheira de Tuxtla, há provas de que Teotihuacán porém estabelecera um posto, talvez com a função de correio e comércio longos Ainda no ano de 900 D.C, verifica-se a presença da cultura veracruz na arte chamada remojada, bem como nota-se a continuidade da civilização zapoteca em Monte Albán. No entanto, isso mudaria completamente!

Um bom documentário em espanhol sobre os Maias.


Considerada uma civilização intrusa, a pequena cultura maia surgiria e se expandiria, se tornando ao longo de sua gênese uma das maiores civilizações não apenas em extensão mas também em complexidade administrativa e cultural que a Mesoamérica jamais viu! Dotados de ampla literatura, e uma escrita mais sofisticada do que as inscrições de povos anteriores como os olmecas, a Civilização Maia, aglutinou o conhecimento das anteriores e a esse somou suas próprias conquistas se tornando uma grande civilização, e também uma civilização belicosa! Antigamente se pensava equivocadamente que havia sido pacífica, todavia hoje já se sabe que era tão ou mais beligerante do que as demais civilizações mesoamericanas. Surgiram inicialmente em Izapa e Kaminaljuyú e durante o período formativo tardio o povoado de El Mirador assistiu à construção da maior pirâmide do lado ocidental da Mesoamérica, com 70 metros altura. Entre os séculos VIII e IX D.C, Tikal, uma das mais importantes cidades maias, alcançava seu resplendor arquitetônico, e revelam-se evidências de uma forte lembrança da civilização de Teotihuacán.


Reportagem em inglês sobre Tikal.

A escrita e o calendário maias eram altamente desenvolvidas, embora ainda fossem hieroglíficas, ainda não se sabe se desenvolveram uma escrita cursiva como ocorreu com os povos da Ásia e África, mas isso não os impediu de produzir importantes avanços na astronomia, como a descoberta de eventos celestes, movimento de planetas e periodicidade de eclipses, ou na matemática, como a descoberta do zero, o que nem mesmo a civilização Romana havia feito. Bata recordarmos que o zero entra nas culturas européias por influência hindu e mediante a presença árabe na Europa e Oriente Médio. Os números podiam ser representados entre os maias de maneira a serem lidos como uma conta, assim, o número 19, por exemplo, era representado por 3 símbolos do número 5, mais 4 símbolos do número 1, formando a conta (3 x 5) + 4, assim, disposto como um ideograma, do mesmo modo, o número 20 utilizava o zero junto a um número 1, demonstrando uma leitura diferenciada da casa decimal em relação ao sistema que nós herdamos da cultura hindu-árabe. Graças às estelas de pedra com datas de calendários e representações de dinastias e história das cidades, o alfabeto maia pôde ser quase todo decifrado. Outros importantes sítios de cultura maia foram Yaxchilán, Palenque, Copán, e Uxmal, entre outras muitas cidades monumentais, ao longo de cujas terras diferentes estilos artísticos e produções literárias foram se acumulando.

Uma das obras religiosas mais antigas do mundo é maia: o Popol Vuh, que narra a criação do universo, da natureza e da humanidade. A Civilização Maia se extendia por parte do México, passando pela Guatemala, Honduras e Nicarágua,  e conjectura-se que possa ter alcançado a selva Amazônica,  se algumas ruínas que vem sendo encontradas forem confirmadas pela ciência como maias conforme alguns pesquisadores chegam a supôr.  O declínio da civilização Maia não é ainda conhecido, sabe-se porém que certamente foi um grande colapso,  e embora essa civilização tenha se extingüido antes da chegada dos primeiros colonizadores espanhóis, é  preciso fazermos nota que os maias ainda existem enquanto povo.

Bibliografia

  • COE, Michael; SNOW, Dean; BENSON, Elizabeth. A América Antiga: Civilizações pré-colombianas. Barcelona: Ediciones Folio. 2006. (col. Grandes Civilizações do Passado). 240 p.
  • LONGHENA, Maria; O México Antigo. Barcelona: Ediciones Folio. 2006. (col. Grandes Civilizações do Passado). 287 p.
  • LONGHENA, Maria; ALVA, Walter. Peru Antigo. Barcelona: Ediciones Folio. 2006. (col. Grandes Civilizações do Passado). 288 p.
  • PHILIPS, Charles. O Mundo Asteca e Maia. Barcelona: Ediciones Folio. 2006. (col. Grandes Civilizações do Passado). 260 p.
  • WHITEHOUSE, Ruth; WILKINS, John. As Origens das Civilizações: Arqueologia e História. Barcelona: Ediciones Folio. 2006. (col. Grandes Civilizações do Passado). 191 p.
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